No dia 05/06, um dos filhos de Rodrigo José de Farias Lima, histórico militante da luta contra o regime militar fascista falecido no último sábado (03/06), procurou-nos para relatar sua vida e a luta. Em conversa com o Comitê de Redação, o familiar nos deu um relato vivo de sua luta com o objetivo de que nossos leitores e apoiadores conheçam um pouco mais sobre seu papel e sua contribuição para as lutas de nosso povo.


 

Rodrigo José de Farias Lima (à direita) e Grande Otelo (à esquerda)

No dia 03/05 faleceu Rodrigo José de Farias Lima, histórico militante da luta de resistência contra o regime militar fascista. Aos 75 anos de idade, Rodrigo morreu em decorrência de choque séptico por doença de Parkinson, depois de mais de um mês de internação no Hospital Geral de Bonsucesso ao qual foi destinado para tratamento de uma infecção urinária.

Pernambucano nascido em 30 de agosto de 1941, ingressou aos 16 anos nas fileiras do PCB (Partido Comunista do Brasil). Formou-se em Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no ano de 1968, sempre engajado nas lutas pelos direitos do povo.

Em 1966 foi arbitrariamente preso por motivos políticos, ocasião em que ficou detido por 100 dias. Três anos mais tarde (1969) foi novamente detido, desta vez pelo Cenimar (Centro de Informação e Reservado da Marinha), quando foi recolhido ao presídio da Ilha das Cobras, sendo transferido em seguida para a Ilha das Flores, em Niterói, onde foi torturado e permaneceu por 20 meses.

Manteve-se firme e ao lado das lutas do povo até o fim de sua vida, nunca deixando de reivindicar-se marxista-leninista e defensor do camarada Stalin. Ativo militante na luta contra o regime militar fascista de 1964 sempre denunciou a exploração e opressão do povo.

Foi ator, diretor de teatro e colunista do jornal “O Povo”. Como advogado democrático foi um dos criadores do movimento de renovação da OAB e do primeiro comitê das diretas já. Dedicado agitador cultural atuou na montagem de diversos espetáculos voltados para o povo. Defendeu o teatro de rua, encabeçou a campanha “Alegria nas Ruas” no Rio de Janeiro. Como nordestino e um grande defensor da musica regional do nordeste, foi um dos fundadores da antiga casa de forró Malagueta, que ficava no bairro São Cristóvão.

Nunca foi convidado a participar da comissão da verdade, segundo seu filho, por sua oposição pública ao oportunismo do PT e crítica aos gerenciamentos de Lula e Dilma. Em notícia, por ocasião de seu falecimento, o monopólio da imprensa tentou repercutir sua morte sem mencionar sua militância revolucionária ou sua perseguição e prisão pelo regime militar.

Seu filho relatou ao AND que já em 2016 lhe foi mostrado um vídeo com a marcha dos camponeses pobres na ocasião do assassinato de Cleomar Rodrigues, dirigente da Liga dos Camponeses Pobres no Norte de Minas Gerais e Sul da Bahia. Ao assistir o vídeo, com ódio de classe, Rodrigo disse que se emocionava ao ver o quanto ainda estava viva a luta contra o capital e o latifúndio. Rodrigo também continuou opondo-se às prisões políticas, como a dos 23 manifestantes na copa, tendo sido ele mesmo um preso político anistiado no passado.

“O essencial de nossas vidas é que fique em algum lugar o fruto do nosso trabalho” Rodrigo Farias Lima, Prisão da Ilha das Flores, 1969.