Camponês Ademir Pereira executado próximo ao Lava Jato em Porto Velho, RO.

 

Com informações do Cebraspo (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos)

Como já noticiado em nosso blog Ademir Pereira, dirigente camponês e militante da Liga dos Camponeses Pobres, coordenador do Acampamento Terra Nossa, da cidade de Cujubim/RO, Fazenda Tucumã, foi assassinado em plena luz do dia em uma quinta-feira (06/07), aproximadamente às 15 horas, em Porto Velho/RO, quando dois homens em um carro de cor preta se aproximaram e um dos homens efetuou vários disparos de pistola calibre 9 milímetros contra Ademir.

O corpo de Ademir foi liberado somente na sexta-feira para o translado e o velório ocorreu no dia 07/07. O corpo do dirigente chegou às 20 horas em Ariquemes/RO, onde foi velado na residência de familiares.

Ainda segundo os relatos recebidos na Redação de AND, por volta das 22:30 horas, quando o corpo de Ademir estava sendo velado por vários acampados e familiares, um moto-taxista chegou ao local e chamou pela esposa do dirigente camponês. Antes que ela chegasse ao portão, ele partiu, deixando um bilhete com as pessoas que estavam na frente da casa, cuja mensagem se tratava claramente de uma ameaça de morte à toda família de Ademir. As informações recebidas dão conta ainda de que os presentes no momento da entrega da ameaça de morte não reconheceram o moto-taxista.

Após a covarde ameaça, a filha da esposa do Ademir registrou boletim de ocorrência na delegacia de Ariquemes. Apesar disso, os familiares declararam, no relato enviado, que não têm ilusões com o velho Estado e afirmaram que têm a certeza de que nada será feito, pois em todos os ataques sofridos pelo Acampamento Terra Nossa, houve a participação das polícias da região do Vale do Jamari.

Durante toda a noite do velório, caminhonetes e carros, reconhecidos pelos acampados presentes, como pertencentes aos fazendeiros da região, circularam na rua, em frente a casa, onde se reuniam os familiares. Vinham acelerados e sempre passavam devagar na frente da casa, olhando para dentro várias vezes, em claro tom de ameaça. Ademir foi enterrado, no dia (08/07), por volta das 11 horas.

Esta é a situação que se desenvolve não somente no vale do Jamari, mas no campo de todo o país, onde o Estado, em aliança com o latifúndio, utiliza seus aparatos de repressão para mover uma guerra reacionária contra os camponeses em luta pela terra.

Em nota publicada, a Liga dos Camponeses Pobres denuncia a ameaça de morte: “No bilhete de ameaça estão cinco cruzes considerando o desenho representando um homem, uma mulher e três crianças, sendo que a cruz e o desenho que representa o Ademir estão riscados com X e as outras em aberto. Denunciamos uma vez mais o Estado brasileiro e todos os seus gerentes por estes crimes covardes contra camponeses e suas lideranças.” E conclui, conclamando todos a abandonarem as ilusões com o velho Estado, a prosseguirem na luta pela terra e contra o latifúndio: “Conclamamos uma grande mobilização popular para barrar estes crimes. Desse Estado podre e corrupto não vai vir nenhuma justiça, só mais assassinatos. Conclamamos todos os camponeses a avançar nas tomadas de terras. Só assim vamos por fim ao banho de sangue promovido pelos latifundiários, grandes burgueses e imperialistas contra os camponeses e todo o povo pobre do Brasil, no campo e nas cidades.”

 

Ameaça de morte contra a esposa de Ademir e seus três filhos. O primeiro, dado como já morto, é o próprio camponês Ademir, executado a mando do latifúndio.