Fotos: Ellan Lustosa/A Nova Democracia

Por Rafael Gomes Penelas e Ellan Lustosa

Mais de 50 mil manifestantes se concentraram na Candelária, Centro do Rio de Janeiro, na tarde da última quarta-feira, 15 de março, num grande protesto contra a “reforma” da previdência da gerência Michel Temer. Convocado por centrais sindicais, a manifestação foi parte de uma mobilização nacional e contou com a participação de inúmeras categorias e organizações populares.

No fim da tarde, antes mesmo das 16h, horário marcado para a concentração, a Candelária ficou repleta de bandeiras, faixas e cartazes que denunciaram as criminosas medidas antipovo de Temer e os cortes de direitos históricos que seu “governo” pretende aplicar. Esta foi a maior manifestação dos últimos meses e foi acompanhada por convocatórias de paralisações de diversos setores. Ao sair da Candelária, a manifestação caminhou até a Central do Brasil e imagens aéreas mostraram a Avenida Presidente Vargas completamente lotada. A reportagem de AND acompanhou toda a movimentação.

Um dos blocos da Juventude Combatente

— O Rio de Janeiro está se levantando contra Temer, Pezão e toda a quadrilha que está no poder. Não vamos aceitar ter que trabalhar até morrer. Queremos aposentadoria digna, queremos nossos direitos mais básicos. Queremos salário decente, saúde e educação de qualidade. Chega de corte de direitos — protestou o servidor público Márcio Nogueira.

— Essa manifestação lembra muito junho de 2013, lotada. Só assim que vamos garantir nossas reivindicações, com o povo na rua — afirmou a estudante Helena Maria.

Participaram da manifestação como organizadoras centrais sindicais chapa-branca ligadas a partidos eleitoreiros que, com carros de som e muita gente paga, tentaram controlar a multidão. Em particular, CUT/PT, CTB/pecedobê e Força Sindical compareceram em peso com sua “militância” burocratizada e seus “seguranças”.

Ativistas acendem sinalizador na Central do Brasil

Porém, as autênticas organizações populares classistas e independentes também marcaram presença e, de forma combativa, denunciaram os ataques de Michel Temer e o oportunismo das centrais sindicais. Blocos independentes formados por organizações como o Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), o Movimento Feminino Popular (MFP), o Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (Moclate), a Unidade Vermelha, o Fórum de Oposições pela Base (FOB), a Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC), entre outras organizações e ativistas independentes levaram suas palavras de ordem em defesa da luta classista, da revolta popular e de denúncia contra a farsa eleitoral.

Capangas da CUT partem para a agressão

Guarda Municipal ataca manifestação

Quando ao início da manifestação chegou na Central do Brasil teve início um confronto entre manifestantes e a tropa de choque da Guarda Municipal. Os agentes de repressão lançaram bombas de gás contra o ato e foram respondidos com paus, pedras e fogos de artifício pelos manifestantes. Nesse momento, dezenas de capangas da CUT partiram para a agressão contra os jovens que enfrentavam a guarda. Desdenhando da capacidade da juventude combatente, os capangas literalmente se deram mal, pois como afirmou uma jovem que cobria o rosto com a camisa, “vieram intimidar e bater, mas levaram uma surra também”.

— Essa atitude vem ocorrendo rotineiramente em manifestações que ocorrem pelo país. A CUT e outras centrais mafiosas não aceitam a participação de manifestantes combativos e fazem um perfeito papel de polícia. Entregam manifestantes pra polícia e partem ‘pra porrada’. Mas isso está mudando, pois esses cães de guarda do PT não intimidam a gente — afirmou um estudante secundarista.

Imagens divulgadas na internet mostram alguns dos chamados “seguranças” da CUT afirmando: “Quero nem saber, quero porrada… Vim só de segurança mesmo e os Black bloc vão morrer!!!”.

Revolta popular toma conta das ruas

Manifestante ataca agência bancária

Após o início do confronto com a Guarda Municipal, a rebelião da juventude e dos trabalhadores tomou conta das ruas do Centro da capital. Da Av. Presidente Vargas até a Av. Rio Branco, inúmeras agências bancárias e grandes lojas foram destruídas. Barricadas arderam em chamas pelas ruas e viaturas da Polícia Militar foram atacadas com pedras. No Largo da Carioca e na Cinelândia, a PM começou a atirar bombas aleatoriamente, inclusive contra quem nem participava do ato e estava nos bares. Pedestres foram revistados arbitrariamente.

Indígena e fotógrafo atacados pela repressão

Barricada na Avenida Presidente Vargas

Ainda na noite do dia 15, recebemos a informação que durante o ataque da Guarda Municipal contra o protesto, a ativista indígena Mônica Lima foi brutalmente agredida por um agente e sofreu fraturas na perna. Em declaração pública, Mônica afirmou: “Companheiras e companheiros, fui agredida com extrema violência por um policial da guarda municipal na Central. Estou bem, mas estou com a tíbia e a fíbula fraturadas. A dor diminuiu porque estou no soro tomando medicamentos. Mas estou aguardando para ir para o raio-x e avaliar se será necessário cirurgia. O meu pé estava muito mole e pendurado. Obrigada aos que me socorreram e ajudaram. Sigamos firmes na luta!”

O fotógrafo de AND, Ellan Lustosa, também foi atacado à queima-roupa com um tiro de bala de borracha por um agente da tropa de choque da PM que circulava a região da Cinelândia revistando pessoas que passavam. Ellan não sofreu ferimento pelo fato de estar equipado com colete. Ao questionar o agente de repressão o motivo do tiro, o fotógrafo ainda foi xingado.

A bandeira do proletariado foi hasteada pela juventude combatente.