Protesto realizado na Central do Brasil- Rio de Janeiro

 

Beatriz Araújo

No dia 29 de junho ocorreu uma manifestação na Central do Brasil, Rio de Janeiro, denunciando a morte de mais uma passageira pelas mãos da SuperVia. A vítima foi Joana Bonifácio.  O protesto além de mencionar o sucateamento da infraestrutura das estações e do próprio transporte, relatou também falta de segurança e além tudo do desrespeito por parte da empresa em cobrar pelos serviços que muito mal são prestados.

Joana Bonifácio, assasinada pela Supervia.

Rafaela Albergari em entrevista exclusiva para o Jornal A Nova Democracia relatou com maiores detalhes a morte de sua prima Joana, que ocorreu durante o deslocamento da jovem para a faculdade ao embarcar no trem da SuperVia, na estação de Coelho da Rocha, Baixada Fluminense, Rio de Janeiro, no dia 26 de abril deste ano:

— Ela morreu quando ia pra faculdade, ela ficou com o pé preso no trem e foi arrastada por mais de vinte metros e não foi acidente. Ela frequentava o ramal de Belford Roxo, que historicamente é um ramal abandonado, precarizado, os trens possuem mais de 60 anos e os vãos entre o trem e a plataforma são gigantes. Não chegou nenhum socorro para ela, minha prima ficou estendida na plataforma de 11:30 até as 18:00. Isso só mostra o descaso com o qual as pessoas são tratadas, a população que vive nesses lugares, é uma população pobre, preta, periférica – denunciou Rafaela. E prosseguiu: — Estamos aqui realizando essa manifestação para dizer que nossas vidas importam, queremos mais segurança no transporte, queremos um transporte de qualidade, poder ir e vir por segurança, um transporte com dignidade. Isso que estamos querendo mostrar na manifestação – relatou a prima.

Rafaela Albergari, prima de Joana

Além de todos esses crimes expostos, foi relatado durante o ato pela própria Rafaela que a Supervia intimidou os familiares da jovem morta para não repercurtir o ocorrido e que é muito comum a Supervia querer abafar esses tipos de casos, impedindo que isso venha a público. Além disso foi denunciado também o fato da Supervia desrespeitar protocolos de segurança em suas instalações. Não é o primeiro caso de morte nas estações da Supervia que se tem conhecimento.
Houve intervenções artísticas durante o ato expressando a indignação do povo perante as mortes de negros e negras nas favelas e nos transportes. Em breve o Jornal A Nova Democracia repercutirá os vídeos da manifestação a respeito da morte de Joana.

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