Complexo do Chapadão – Rio de Janeiro

Extermínio de Willian Cézar pelo 41º Batalhão da PM revolta moradores. RJ, Chapadão, 03.06.17

Roberto Santos
Fotos de Ellan Lustosa/AND

No dia 03/06, sábado, recebemos na Redação de AND a grave denúncia do assassinato de um jovem de 16 anos na favela Gogó da Ema, em Guadalupe, Zona Norte do Rio de Janeiro.

O assassinato foi o resultado de uma criminosa operação policial no Complexo do Chapadão.

William César Machado Esteves, 16 anos, foi morto quando saia de casa para o ferro-velho onde trabalhava às 7h da manhã. Moradores denunciam que o jovem trabalhador foi atingido pelas costas por um disparo efetuado por policiais.

Testemunhas afirmam ainda que no momento em que a mãe de William se deu conta da situação e foi ao seu socorro, policiais efetuaram disparos contra a família que foi impedida de socorrer a vítima. Os familiares iniciaram então uma busca pelo jovem em delegacias e hospitais, dentre eles os hospitais Albert Schweitzer e Getúlio Vargas e o 41º Batalhão da PM de Irajá, mas só conseguiram encontrá-lo no fim da tarde no Hospital Carlos Chagas, mais de 9 horas após seu desaparecimento.

Ainda no 41º BPM, um dos militares que disse ter participado da Operação chegou a declarar para a família que não sabia dar nenhuma informação sobre o caso, falando que estes deveriam procurar nos hospitais.

Ao contrário do que alega a PM, os moradores afirmam que William foi atingido em um momento que não havia troca de tiros, mas sim disparos dos PMs contra a comunidade que neste horário habitualmente conta com grande fluxo de trabalhadores se deslocando para seus empregos.

Segundo matéria de denúncia de Liza Sansão publicada no site Ponte, “William morava com a companheira e a filha de dois anos em um apartamento do condomínio ‘Minha Casa, Minha Vida’, exatamente em frente onde foi atingido nas costas e morreu. Ele e o irmão mais velho, Luiz Fernando Machado Esteves, de 28 anos, estavam indo juntos trabalhar, por volta das 7h, quando William voltou para buscar o carregador de celular de Luiz Fernando, que estava em sua casa. O irmão o aguardava em outro ponto da mesma rua quando ouviu tiros.”

A matéria repercute ainda o relato do irmão de William, Luiz Fernando: “‘Eu escutei um monte de tiros e minha mãe disse que ia ver quem tinha sido atingido. Quando ela foi, encontrou meu irmão morto’, conta Luiz Fernando. ‘Meu irmão era uma pessoa estudiosa, nunca parou de estudar. Trabalhador, nunca se envolveu com drogas. Uma ótima pessoa, graças a Deus. Era um bom filho. Nunca fez nada de errado’, lamenta o jovem.”

Segundo denúncias à reportagem de AND, o assassinato de William foi registrado na Cidade da Polícia como “auto de resistência”, um ultraje frente às circunstâncias de sua morte.

Os familiares do jovem William exigem justiça e já abriram processo exigindo a investigação do caso.

Indignados com o assassinato do adolescente e com a contínua e brutal política de extermínio do povo praticada pelas polícias do velho Estado, vizinhos, colegas e familiares de William ocuparam as ruas da comunidade e ergueram barricadas em protesto.

A reportagem de AND esteve no local, onde registrou a cena do crime, relatos de amigos e familiares e a manifestação dos moradores que não deixou passar em branco mais este bárbaro crime da PM à serviço do gerenciamento Pezão/PMDB.

Com palavras de ordem e cartazes exigiam justiça e denunciavam os crimes da polícia. Um dos cartazes dizia “Fora polícia assassina”, expressando a justa revolta do povo cansado de tantos crimes.

Durante a manifestação, soldados da Força Nacional (FNS) intimidaram os moradores tentando impedir o justo protesto. Fortemente armados, os militares chegaram a apontar os fuzis contra os manifestantes enquanto estes só reivindicavam a entrega do corpo do jovem desaparecido à família.

Até mesmo um Caveirão foi mandado para reprimir o ato, ao que os moradores responderam com palavras de ordem “Não acabou, tem que acabar! Eu quero o fim da polícia militar!” e com os gritos de  “Assassinos!”.

Ao sair do veículo blindado, os PMs prosseguiram com as intimidações, filmando moradores e  ameaçando lançar spray de pimenta. Tudo com o objetivo de abafar a justa reivindicação. Mas não obtiveram sucesso.

A população se manteve firme bloqueando a Avenida Marcos de Macedo até que o corpo de William fosse entregue à família.