Protestos na Praça Seca e no Engenho Novo (RJ): A rebelião se justifica!

Por Rafael Gomes Penelas

Na tarde da última quarta-feira, 12 de fevereiro, novos protestos voltaram a acontecer na região da Praça Seca, na zona Oeste do Rio de Janeiro. A população da comunidade Bateau Mouche deu novas demonstrações de coragem e enfrentou a tropa de choque. Os protestos são em repúdio ao assassinato de dois jovens durante uma operação da Polícia Militar em Rocha Miranda.

No dia anterior, 11/2, outras manifestações já haviam ocorrido. Pela manhã, as pistas da Rua Cândido Benício foram bloqueadas e os manifestantes incendiaram um ônibus e um banheiro químico. Um carro da PM teve os vidros quebrados. Durante a noite outro ônibus e uma retroescavadeira foram incendiados. Vários moradores ficaram feridos com as bombas lançadas pela repressão.

A versão policial diz que os mortos (Gleberson Nascimento Alves e Alan de Souza Pereira) estavam acompanhados de mais dois homens que teriam sido abordados durante um patrulhamento na Avenida dos Italianos. Os rapazes teriam resistido e um deles atirado contra a viatura policial.

Porém, Gleberson e Alan não tinham antecedentes criminais. Moradores e familiares negam a versão da PM e afirmam que as vítimas estariam levando uma peça de moto e teriam sido confundidos com os ladrões.

Em depoimento a um telejornal, a familiar de um dos rapazes, que não quis se identificar, disse: “Eles alegaram que eles estavam fugindo deles [dos policiais] e estavam trocando tiros com eles e não foi isso. Foi uma execução e não foi tentativa de assalto, como eles alegaram.

Foto: Marcelo Theobald

Engenho Novo

Também no Engenho Novo, na zona Norte, houve enfrentamentos. Três ônibus foram incendiados pelos manifestantes na noite do dia 12 na Rua Barão do Bom Retiro. A população acusa a polícia pelo assassinato de um jovem durante um suposto confronto entre bandidos comuns e a PM no Morro do São João. Segundo moradores, a vítima seria um rapaz de 17 anos. Quatro pessoas foram presas durante o protesto e levadas para a 25ª DP.

Em meio à avalanche de sensacionalismo do monopólio da imprensa em sua tentativa desesperada de criminalizar os protestos populares, nos subúrbios do Rio de Janeiro cresce a indignação da população pobre contra a rotineira repressão policial. O ano de 2014 começou com intensos e combativos protestos em bairros pobres da cidade, como no caso da Favela do Metrô (o de maior repercussão) que há anos luta contra a remoção.

Foto: Marcelo Carnaval

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