Mais exploração, guerras, protestos e crises

Jailson de Souza, AND nº 189

Maoístas franceses marcham em Paris. Profunda crise imperialista atiça luta das massas.

A farsa eleitoral na França, ocorrida entre os dias 23 de abril e 7 de maio, realizou-se em uma situação de profunda crise, tanto na situação nacional como na internacional. O “fenômeno” arquirreacionário Le Pen, candidata derrotada que sustentou posições abertamente anti-imigrantes e belicistas, é engendro de tão profunda crise em que se afunda o imperialismo, incluindo o francês.

Guerras de agressão e luta de classes

A guerra de agressão contra a nação Mali – onde a França tem atuação destacada – não pôde submeter aquele povo, que luta heroicamente e impõe derrotas inquestionáveis às tropas invasoras. Vitórias contundentes, apesar de todo o genocídio que os franceses praticam para esmagar a resistência nacional (o que chamam de “terrorismo”) e recuperar territórios estratégicos e ricos em recursos naturais. O reacionário e novo presidente francês Macron, em visita ao Mali, afirmou que travará “luta intransigente” contra os “radicais islamistas”.

Além disso, a sua participação nas guerras de rapina no Iraque, Síria e Afeganistão, todas sob o surrado manto de “guerra ao terrorismo”, trouxe para seu interior as ações da Resistência nacional. O terror e humilhação que o imperialismo francês emprega contra esses povos ecoam como um chamado de vingança. Os recorrentes ataques na capital Paris, empreendidos por setores profundamente pobres dos proletários imigrantes, comprovam que “a guerra imperialista regressa a sua casa”.

Por isso, a arquirreacionária Le Pen sustentou tão agressivo discurso “anti-imigrante”, o qual não poderia aplicá-lo pela necessidade dos monopólios de força de trabalho imigrante (barata). O que fez foi lançar mão da política imperialista de jogar massas nativas contra imigrantes para justificar mais repressão, mais Estado policial e mais “guerra contra o terrorismo” no estrangeiro e no próprio país, ou seja, guerra contra o proletariado e povos oprimidos do mundo.

Soma-se a isso o desemprego que assola os trabalhadores franceses e imigrantes, acima dos 10%. O novo governo do reacionário Macron, com suas contrarreformas para cortar direitos trabalhistas e previdenciários, elevará ao topo a superexploração e, com isso, os cada vez mais beligerantes protestos populares.

Chantagens e crise na UE

As derrotas nas guerras de agressão, os fracassos políticos e a profunda crise econômica mundial do sistema imperialista agravam a disputa entre os monopólios imperialistas por aumentar suas zonas de influência nas semicolônias, maior controle sobre as fontes de matérias-primas, de força de trabalho desvalorizada e para depositar seus capitais rentistas.

É nesse contexto que se desenvolve, por exemplo, a briga, que promete se acirrar, do imperialismo francês com o alemão para redefinir as forças e a hegemonia dentro da União Europeia, conforme analisamos em AND nº 188 (Notas Internacionais, França: boicote à farsa eleitoral ganha multidões).

Emmanuel Macron, vencedor da farsa eleitoral, já subiu o tom com o imperialismo alemão — que domina a União Europeia, graças, principalmente, aos bancos alemães —  afirmando “ou se reforma a União Europeia, ou poderá enfrentar um Frexit”, numa clara demonstração de chantagem com a Alemanha, que domina o “bloco”.

Isto não se realiza assim, tão facilmente, pois quanto mais países se retiram do bloco, mais frágil fica a UE. E aqueles que saem, também ficam fragilizados.

A saída francesa da União Europeia (Frexit) consistiria em um duro golpe na Alemanha e na própria França. Estas potências imperialistas e outras da região só podem disputar a hegemonia mundial com os ianques se aglutinarem forças na UE. No entanto, essa força fica monopolizada em um único imperialismo, e é aquele que impõe sua hegemonia e passa a dirigir o “bloco” — hoje, a Alemanha. Os demais países imperialistas, por sua vez, pugnam com o imperialismo hegemônico e entre si para tornarem-se dominantes. E, enquanto não atingem esta condição de dominantes, não têm alternativas a não ser se submeterem ao imperialismo hegemônico ou se retirarem do “bloco” (caso da Grã-Bretanha). No caso da França, Macron seguirá chantageando a Alemanha com a bandeira do Frexit, buscando reformas.

As reformas propugnadas pelo governo Macron consistem em unificar o sistema bancário dos países do “bloco”, criar um mecanismo único de dívidas e um orçamento comum — isto é, desarmar o poder e influência que os bancos alemães proporcionam ao Estado alemão, e assim redefinir a hegemonia no “bloco”.

Este é o problema que se desenvolve neste conluio e pugna entre Alemanha e França.

Governo mais reacionário e genocida

Conforme assinalamos na matéria anteriormente citada, são estes os problemas do imperialismo francês que se desenvolvem por trás da farsa eleitoral e explicam os reais motivos da sua “polarização”. O que o monopólio da imprensa busca aparentar como “vitória sobre uma onda conservadora” é um engodo para omitir as reais contradições em jogo e, assim, apresentar a farsa eleitoral como definidora quando, na verdade, tudo é definido pelos monopólios econômicos imperialistas e o processo eleitoral veio somente avalizá-los.

O Partido Comunista Maoista da França, que organizou e impulsionou a campanha, afirmou: “A democracia burguesa é ditadura da burguesia! Nós, comunistas, dizemos claramente que suas eleições são uma farsa! Não há sombra de dúvidas de que eles têm como único propósito tentar, em vão, legitimar o sistema existente. Vamos construir os três instrumentos para a Guerra Popular Prolongada!”, arrematou.

A reacionarização do Estado imperialista francês seguirá em marcha. Mais repressão, guerras contra o povo e contra as nações oprimidas e superexploração.