10ª Grande Assembleia do Povo Terena reafirma a luta pela retomada dos territórios tradicionais

Redação de AND

Na Aldeia Buriti, situada na Terra Indígena Buriti, em Dois Irmãos do Buriti (MS), entre os dias 31/05 a 03/06, ocorreu a 10ªHánaiti Ho’únevo Têrenoe, isto é, a 10ª Grande Assembleia do Povo Terena.

A Assembleia contou com a participação de lideranças dos povos Guarani, Kaiowá, Nhandeva, Mbya, Guajajara, Kaigang, Xavante, Tuxá, Baré, Xacriaba, Kadiwéu, Kinikinau e Cabiwá.

A Grande Assembleia do Povo Terena debateu uma série de temáticas, tais como a demarcação das terras tradicionais, os ataques do gerenciamento Temer/PMDB contra os direitos da população do campo, a situação da educação e saúde indígenas, as questões feminina e da juventude.

No que se refere a saúde, os Terena criticaram o descaso com a saúde indígena, aproveitando a presença do Secretário Especial de Saúde Indígena Marco Antônio Toccolini. Eles exigiram a criação de um Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) específico para o cone sul do Mato Grosso do Sul, a reestruturação do atendimento médico nas aldeias – principalmente em áreas de retomadas –, a criação de polo base de saúde em todos os municípios que tenham territórios indígenas e o abastecimento de água potável nas comunidades.

Em relação a educação, os Terena cobraram a contratação de professores nas áreas retomadas, além da implementação de uma educação indígena diferenciada, que esteja de acordo com o modo de vida Terena.

Na Grande Assembleia foi lançada a Revista Terena Vuka?panavo, a primeira revista com saberes do povo Terena, organizada por pesquisadores desse povo. Vukápanavo significa “adiante”. A revista é um marco na revalorização dos saberes tradicionais produzidos pelos Terena em seus territórios.

No documento final da 10ª Grande Assembleia, o Conselho Terena rechaçou o gerenciamento Temer/PMDB, tachado de “ilegítimo e ruralista”, que trata os direitos indígenas “como moeda de troca de apoio político”. Os Terena afirmaram: “nossos direitos não são negociáveis”.

A entidade frisa que ao longo dos últimos anos, os Terena foram perseguidos, criminalizados – o caso mais recente é o da CPI da Funai/Incra –, presos e tiveram as suas lideranças assassinadas pelo latifúndio e seus grupos de pistolagem em conluio com o velho Estado. “Ainda que os atuais caciques e lideranças do Conselho Terena sucumbam na luta pela terra, novas lideranças se erguem, pois nosso sangue faz brotar a esperança”, diz trecho da nota. “Lutar por direitos não é crime!”, bradam os Terena.

No documento, o Conselho Terena também repudiou a nomeação do general do Exército Franklimberg de Freitas para a presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai), ignorando “todas as violações perpetradas contra os povos indígenas no período da ditadura militar”.

“Defendemos a retomada de nossos territórios tradicionais. Retomada enquanto processo de territorialização legitimo do povo terena e não iremos recuar um palmo de terra retomada”, ressalta o Conselho do povo Terena.