Reproduzimos a seguir a nota da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), retratando a grave denúncia da morte de mais um camponês em luta pela terra, ocorrida no dia 04 de junho.


Valdenir Juventino Izidoro, liderança camponesa assassinada.


Mais um líder camponês assassinado após participar de reunião do velho Estado

Jaru, 24 de junho de 2017

No dia 04 de junho, o camponês Valdenir Juventino Izidoro, conhecido como Lobó, foi assassinado por pistoleiros, com um tiro a queima roupa, no acampamento próximo da fazenda Trianon, em Rondominas, distrito do município de Ouro Preto D’Oeste. Valdenir participou da reunião com Incra, Terra Legal, Ouvidoria Agrária Nacional e outros órgãos do velho Estado, em Porto Velho, nos dias 10, 11 e 12 de maio último. Nesta reunião, o Incra se comprometeu a fazer uma vistoria na fazenda Trianon, na semana em que Lobó foi assassinado. É mais um caso que segue o roteiro da morte, tão conhecido de camponeses que lutam pelo sagrado direito à terra. Inúmeras lideranças já foram assassinadas após reuniões com o velho Estado, onde foram identificadas por latifundiários, pistoleiros e policiais assassinos.

Histórico dos crimes do latifúndio e velho Estado na fazenda Trianon e região

Em fevereiro de 2016, centenas de camponeses tomaram a fazenda Trianon, de mais de 3.600 alqueires e formaram os acampamentos Monte Cristo e Jaú, nas linhas 202 e 205, respectivamente, no município de Vale do Paraíso e no distrito de Rondominas. Como não possui documento da área, o pretenso proprietário da fazenda disse aos camponeses que ficaria com os 600 alqueires formado de pasto e que as famílias poderiam ocupar a mata (cerca de 3.000 alqueires).

No dia 23 de abril de 2016, as fazendas vizinhas Santa Dominique e Santa Nataliê, do grupo latifundiário Agropecuária Amaralina, localizadas na linha 206, também em Rondominas, foram tomadas por famílias do acampamento Jhone Santos. Quem se diz o dono destes 16.000 alqueires de terra é o latifundiário Miguel Martins Feitosa, que mora nos Estados Unidos e que tem um contrato com o Incra de apenas 800 alqueires. Mais que depressa, o velho Estado, através do comandante geral da PM Ênedy Dias de Araújo, mostrou o quanto serve aos latifundiários, ladrões de terra e assassinos. No dia 13 de maio, policiais militares despejaram o acampamento Jhone Santos; no dia 24, no centro de Ji Paraná, prenderam 4 estudantes e um professor que distribuíam um panfleto denunciando os crimes do latifúndio e do velho Estado. E nos dias 01 e 02 de junho de 2016, um verdadeiro aparato de guerra da PM despejou homens, mulheres, jovens, crianças e idosos dos acampamentos Monte Cristo e Jaú. Em outubro, as famílias, incluindo Valdenir, se reorganizaram, seguiram a luta e reergueram acampamento, próximo da fazenda Trianon.

Em outros municípios, também da região central de Rondônia, temos visto o aumento da repressão dos latifundiários contra camponeses em luta pela terra. Em Seringueiras, em julho de 2016, a PM realizou um despejo criminoso contra famílias do acampamento Enilson Ribeiro, policiais em um helicóptero chegaram a disparar com arma pesada contra homens, mulheres e crianças acampadas; meios de comunicação divulgaram mentiras contra os trabalhadores; a “justiça” prendeu e processou vários camponeses.

Em 16 de maio de 2017, o camponês Paulo Sérgio Bento Oliveira, do Acampamento Fidel Castro 2, no município de Mirante da Serra, foi barbaramente assassinado por policiais do GOE – Grupamento de Operações Especiais. Dias antes, Paulo Sérgio, assim como Valdenir, participou da reunião com órgãos do velho Estado em Porto Velho, denunciando os crimes do latifúndio, do Incra e das polícias

Valdenir foi assassinado a mando de latifundiários da região central de Rondônia, como tentativa de frear a luta camponesa que só faz avançar. Mas se enganam, pois a luta pela terra é necessária e justa, e aumenta, regada pelo sangue camponês.

Lutar pela terra não é crime!

Conquistar a terra, destruir o latifúndio!

Terra para quem nela vive e trabalha!

LCP – Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental

Polícia comandada pelos fascistas Confuncio e Ênedy despeja os acampamentos Monte Cristo e Jaú/ Junho de 2016

5 meses depois de despejados, camponeses reacampam próximo a fazenda Trianon.

Corpo de Valdenir, camponês assassinado.