Faleceu o veterano dirigente maoísta indiano Narayan Sanyal

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Narayan Sanyal, veterano dirigente maoísta, faleceu neste mês de abril

Redação de AND, com informações de Dazibao Rojo

O monopólio da imprensa indiana informou hoje, 18 de abril, o falecimento, aos 80 anos, do veterano e histórico dirigente maoísta Narayan Sanyal, vitimado por uma enfermidade terminal. Ele faleceu em um hospital de Calcutá.

O camarada Narayan Sanyal se uniu ao Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista) então dirigido pelo histórico dirigente comunista indiano Charu Mazumdar nos anos 60, e desde então permaneceu nas fileiras maoístas. Narayan foi um dos artífices da unificação dos maoístas no atual Partido Comunista da Índia (Maoísta), do qual foi dirigente membro do Birô Político até sua detenção em 2005.

A Revolução Indiana e o Partido Comunista

maoistO caminho que tomou a Revolução na Índia, ao longo de sua trajetória, comprova a seguinte verdade: “O caminho é sinuoso, mas as perspectivas são brilhantes!”.

O primeiro marco da Revolução Democrática indiana se dá em 1967, quando o campesinato se sublevou violentamente contra a máquina burocrático-militar do velho Estado indiano, aspirando ao Poder Político – fato conhecido internacionalmente como Levante de Naxalbari, que completa 50 anos neste ano.

O nome Naxalbari é uma referência à aldeia onde ocorreu o levante camponês empreendido pelo Grupo Guerrilheiro do Povo, dirigido pelo Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista), sob a chefatura do grande dirigente comunista Charu Mazumdar.

Sobre o fenômeno de Naxalbari, o grande chefe comunista indiano Charu Mazumdar afirmou: “Esta luta é diferente de todas as outras lutas camponesas. Onde reside tal diferença?… Esta é a primeira vez que o campesinato lutou não somente por suas demandas parciais, mas também pela tomada do poder do Estado”.

Charu Mazumdar desempenhou destacadíssimo papel na direção deste levantamento, o que lhe rende, até os dias atuais, imensos prestígio e reconhecimento entre os revolucionários, comunistas e as massas que lutam na Índia e no mundo. É expressão de todos os revolucionários e maoístas que tombaram em combate e deram assim seu generoso sangue ao triunfo da Revolução de Nova Democracia no país.

Sobre a importância de Naxalbari, em declaração emitida em julho de 2016, o Comitê Central do PCI (Maoísta) afirmou “O Levantamento de Naxalbari sob a direção do camarada Charu Mazumdar — o grande dirigente, maestro e precursor do PCI (Maoísta) junto com Kanhai Chatterji —, marcou um novo começo na história da Revolução democrática indiana”.

A repressão que se abateu sobre os maoístas indianos no final dos anos de 1960 e início da dos anos de 1970 deixou mais de 10 mil mortos e a desaparição de muitos quadros do PCI (ML), entre os quais o líder Charu Mazundar, assassinado na tortura. Os grupos sobreviventes continuaram atuando, embora sem contato, o que fez com que se criassem organizações independentes que cresceram e desempenharam significativo papel, desenvolvendo durante mais de 30 anos a Guerra Popular. Em 2003, o Centro Comunista Maoísta e o Centro Revolucionário Comunista da Índia se unem no Centro Comunista Maoista da Índia (CCMI). Um ano mais tarde, em 21 de setembro de 2004, o CCMI se une ao Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista) (Guerra Popular), formando o Partido Comunista da Índia (Maoista). Sua organização militar unificada passou a se chamar Exército Guerrilheiro Popular de Libertação (EGPL).

Em 1º de maio de 2014, dez anos depois, as forças revolucionárias atingem um novo avanço com a unificação do PCI (Maoísta) e do PC da Índia (M-L) Naxalbari.

Lembramos que a Guerra Popular na Índia, que quinzenalmente tem seus avanços divulgados nas páginas de AND, mobiliza milhões de massas nas cidades, no campo e nas regiões tribais desse imenso país de um bilhão e trezentos milhões de habitantes.

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