Somente os tolos e os oportunistas incorrigíveis acreditam que este apodrecido parlamento brasileiro seja palco para os trabalhadores na sua luta de classes. Deste antro reacionário não poderíamos esperar outra coisa. (…) Quando a ira das massas, com o crescente aumento dos protestos, se transformar numa força material capaz de levantar labaredas a transformar em brasas, carvão e cinzas a velha ordem, nenhum canalha escapará da maré montante da revolta popular.

Editorial, AND nº 188

As recentes votações que aprovaram profundas modificações nas leis trabalhistas, retirando direitos dos trabalhadores — as “mexidinhas” que prometem fazer no senado não são mais do que tráfico, barganhas e chantagens em suas contendas com o “governo” — receberam de pronto o protesto popular através da Greve Geral que paralisou o país com marcantes manifestações no campo, com cortes de rodovias, e nas maiores cidades com embates entre os trabalhadores e as forças de repressão do velho Estado.

A cobertura dos dois acontecimentos pelo monopólio de comunicação, mais uma vez, denotou o seu caráter de classe reacionário e mentiroso. Enquanto os protestos foram minimizados como manifestações de minorias, a votação no congresso e as reações do gerenciamento Temer tiveram o destaque de “grande vitória” e “avanço” para a “retomada” do desenvolvimento e fim da recessão. Pior para eles, já que o dia 28/04 só foi um prenúncio de uma batalha que apenas se iniciou!

Somente os tolos e os oportunistas incorrigíveis acreditam que este apodrecido parlamento brasileiro seja palco para os trabalhadores na sua luta de classes. Deste antro reacionário, expressão direta e escancarada da semifeudalidade e da semicolonialidade, não poderíamos esperar outra coisa.

Como agrupamento de restos das oligarquias regionais latifundiárias, de assalariados da grande burguesia local e de office-boys dos bancos e multinacionais e, ainda, de pelegos da aristocracia operária, todos, ao fim e ao cabo, por ação ou omissão, compõem o partido único da reação. Assim, de aparente sustentáculo da democracia e do “Estado Democrático de Direito”, em essência, o parlamento constitui-se num dos esteios da ditadura de classe da grande burguesia, do latifúndio e do imperialismo sobre a classe operária e o campesinato, sobre professores, funcionários públicos, sobre os pequenos e médios proprietários industriais, comerciais e de serviços e sobre as massas desempregadas.

Mas não só os parlamentares e sim todos os chamados Três Poderes da República, juntamente com o monopólio da imprensa, são autores destes que são os mais cruéis golpes contra o povo e a Nação na história da república e que, mais cedo ou mais tarde, todos seus autores pagarão caro por estes crimes hediondos.

Os calhordas comemoram a hipotética vitória da aprovação do ataque aos direitos trabalhistas (assim como da aprovação do ataque à Previdência Social na comissão especial da Câmara), sob o surrado argumento de que os países desenvolvidos já adotam tais medidas. Cinicamente, desdenham do fato de que estes países as adotam por serem desenvolvidos exatamente à custa da espoliação e rapina que secularmente praticam sobre as nações atrasadas como o Brasil, no qual a aplicação destas medidas só aprofunda o atraso e a miséria, ao sugar o suor e o sangue do povo brasileiro para encher as burras do latifúndio, da grande burguesia e do imperialismo.

Temer, Meirelles, Maia, Eunício, a Fiesp, a Bolsa, a embaixada ianque, o monopólio de imprensa e demais escroques e vendes-pátrias confraternizaram sob a doce ilusão de que seus nefastos objetivos, transformados em lei, perdurarão para todo o sempre. Ledo engano, nada mais fizeram do que semear vento provocando a ira das massas. E, quando a ira das massas, com o crescente aumento dos protestos, se transformar numa força material capaz de levantar labaredas a transformar em brasas, carvão e cinzas a velha ordem, nenhum canalha escapará da maré montante da revolta popular.

Porque semeiam ventos, colherão tempestades.

Para o proletariado e às massas oprimidas e exploradas não existem derrotas definitivas. Esperem e verão.