As armações das classes dominantes, mesmo em pugna e conluio, para dar sobrevida à velha ordem de opressão e o fracasso da “esquerda” eleitoreira, aceitando a subjugação nacional para administrar o Estado de grandes burgueses e latifundiários, é a confirmação cabal de que fora do caminho da Revolução de Nova Democracia, tudo não passa de vã ilusão.

AND nº 184, Editorial.

A população do estado do Espírito Santo viveu dias de fúria com a greve da PM. Esta sinalizou aos grupos de extermínio a autorização para o assassinato em massa de pobres. Contou ainda, é claro, com a imprensa dos monopólios para provocar o terror, apavorando todo o povo e pedindo mais repressão sobre a população que realizava saques, ao criminalizá-la sem distinguir seus atos das ações de delinquentes.

A Polícia Militar é um dos instrumentos de repressão no dia-a-dia que o Estado de ditadura da burguesia usa para exercer sua opressão sobre as massas populares. Ela deve seguir as mesmas regras de disciplina, organização e hierarquia das forças armadas, por isso ela é militar. Quando um instrumento como este se rebela é um sinal de que começam a ficar expostas as entranhas putrefatas do velho Estado.

Mas, se esta situação se apresenta por demais grave, ela não é um fato isolado, o processo de putrefação do velho Estado tem um espectro bastante amplo, como veremos a seguir.

Quem acompanhou a movimentação no Congresso Nacional para eleição de seus dirigentes pode constatar mais um alinhamento dos três poderes na busca do estabelecimento da “paz” necessária para assegurar a sobrevivência deste apodrecido sistema político que serve de motor do, igualmente apodrecido, Estado brasileiro.

Como é de praxe, neste sistema de partido único, “golpistas” e “golpeados” põem de lado suas querelas para confraternizar em novos arranjos que entregam a cada um parcelas, maiores ou menores, de poder, com o fito de se manter intacto o essencial deste podre sistema político, seus privilégios descarados e a franquia para cometer toda sorte de abusos contra os cidadãos comuns. Foi assim na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, onde os dois “presidentes” eleitos, citados no processo da “lava-jato”, afinaram o discurso em busca da salvação da confraria. O ínclito Romero Jucá saltou à frente na defesa de seus pares e exigiu a publicação de todos os políticos citados nas investigações (claro, como forma dos meliantes apagarem o máximo de provas de seus delitos), manifestação logo transformada em projeto de lei que, obviamente, terá rápida tramitação, tal qual o projeto que descriminaliza os partidos em débito com a justiça eleitoral.

No mesmo compasso, Temer, também citado dezenas de vezes nas delações, coloca Moreira Franco, um recalcitrante na arte da corrupção, debaixo do guarda-chuva do foro privilegiado, ato este de tão escandaloso que já sofreu impugnação pela justiça. Isto ao tempo que se apressou em indicar o seu pau mandado Alexandre Moraes para substituir Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal (STF).

O Judiciário também fez a sua parte, liberando a candidatura de Rodrigo Maia, segurando a definição de quem pode estar na linha sucessória da Presidência da República e, ainda homologou com rapidez as delações dos executivos da Odebrecht. A pugna entre os grupos de poder dentro do STF ficará bastante animada com a tabelinha entre Alexandre Moraes e Gilmar Mendes na defesa do PMDB e do PSDB e suas excelências que, através do engodo da “lava-jato” têm urgência em liberar os executivos que, logo-logo, estarão usando a tornozeleira da moda e curtindo suas mansões na serra, na praia ou mesmo na cidade. Nunca um termo expressou tão bem a realidade: “delação premiada”; demonstração cabal de que para os ricos o crime compensa.

Esta é a política das classes dominantes, afeita a tramoias que “até deus duvida”. Convém, lembrar aqui, certas coincidências que deixaram o PSDB “bem na foto”: primeiro a queda do avião do candidato do PSB, Eduardo Campos, cuja candidatura deixaria Aécio Neves fora do segundo turno e, depois, a queda do avião de Zavascki, quando, com as delações da Odebrecht, já estava aberto o caminho para o PSDB ingressar no reino da “lava-jato”. Agora mais tranquilos, esperam que seu filiado Alexandre Moraes cumpra o seu papel.

Este é o pântano em que também chafurdam as siglas eleitoreiras autodenominadas de “esquerda” como PT, Pecedobê, PSB, PSOL, PSTU, PCB, PCO, e demais grupelhos trotskistas que brigam por gerenciar e dar sobrevida ao caquético Estado burguês-latifundiário serviçal do imperialismo.

Ao proletariado, aos camponeses, às pequena e média burguesias, aos intelectuais comprometidos com libertação do país e das massas trabalhadoras, este Estado não tem nada a oferecer senão opressão e exploração. Impõe-se a necessidade urgente de sua destruição. Trata-se da instituição de um novo Estado e não apenas de um novo governo, como almejam os oportunistas e revisionistas.

Tal substituição só poderá ocorrer pela via revolucionária, pois somente a Revolução poderá unir os oprimidos e explorados da nação para pôr fim a esta carcomida democracia burguesa-latifundiária, ditadura sobre as classes dominadas, substituindo-a por uma nova democracia, sustentada pelas classes revolucionárias, e baseada na aliança operário-camponesa como centro do novo Poder.

Revolução que porá em prática o programa que deixe claro seu compromisso com a democracia encarnado no compromisso com a Revolução Agrária que tomará as terras do latifúndio e entregará aos camponeses sem terra ou com pouca terra. Também, deverá secundar o compromisso com a democracia, o compromisso com a independência nacional com base na expropriação dos expropriadores. Terra, pão e liberdade sintetizam o programa revolucionário da Nova Democracia.

As armações das classes dominantes, mesmo em pugna e conluio, para dar sobrevida à velha ordem de opressão e o fracasso da “esquerda” eleitoreira, aceitando a subjugação nacional para administrar o Estado de grandes burgueses e latifundiários, é a confirmação cabal de que fora do caminho da Revolução de Nova Democracia, tudo não passa de vã ilusão.

Aos revolucionários, este caminho, mais que uma opção, é uma obrigação inarredável.