PA: Ativista é assassinado dentro de hospital

waldomiro

Waldomiro era camponês e líder na região

Com informações do mst.org

Na madrugada de 20/03, Waldomiro Costa Pereira foi assassinado dentro do Hospital Geral do município de Parauapebas (PA). Cinco homens armados e encapuzados invadiram o hospital, três deles se dirigiram à UTI onde se encontrava Waldomiro e efetuaram ao menos oito disparos contra ele, que faleceu no local.

Waldomiro era ativista do MST desde 1996, sendo considerado uma das principais lideranças do movimento na região. Ele exerceu papel de destaque na criação do Assentamento 17 de Abril, em Eldorado dos Carajás, onde vivia e trabalhava no seu pedaço de terra.

pistoleiros

Pistoleiros executaram Waldomiro dentro do hospital

Dois dias antes de ser morto, o ativista sofreu um ataque quando trabalhava em seu lote de terra. Dois homens encapuzados em uma moto se aproximaram do local e dispararam contra ele, ferindo-o na cabeça em uma das mãos.

O ativista, que também era servidor público do município de Parauapebas, deixa uma esposa e cinco filhos.

Em nota, a direção estadual do MST afirmou que “este é mais um assassinato de trabalhadores no estado do Pará, em que o governo é culpado pela sua incompetência em cuidar da segurança da população e praticado em função da negligência do estado em apurar e punir os crimes desta natureza”.

Empresas comercializavam carne estragada

Vinicius Alves

No dia 17/03, fiscais do ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e executivos e funcionários de empresas do ramo alimentício foram presos em decorrência de um grande esquema criminoso para burlar a fiscalização sanitária e comercializar carne estragada a população.

Até o momento não se sabe quais lotes de carne podem ter sido afetados, pois o tamanho do esquema ainda é incerto. Ou seja, não se sabe quantas pessoas podem ter consumido carne estragada.

As prisões são decorrentes da Operação “carne fraca” da Polícia Federal, que mobilizou cerca de 1.100 agentes para cumprir 309 mandados judiciais expedidos pela 14ª vara da justiça federal de Curitiba (PR) em seis estados (Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo) e no Distrito Federal. Os mandados se dividiam em 194 de busca e apreensão, 77 de condução coercitiva e 38 de prisão (27 preventivas e 11 temporárias), sendo 34 deles para funcionários públicos.

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RO: Estado ameaça usar o Exército para despejar famílias camponesas

Produção camponesa no Canaã, RO

Produção camponesa no Canaã, RO


Reproduzimos gravíssima denúncia da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) de Rondônia e Amazônia Ocidental da ameaça de despejo da Área camponesa Canaã (100 famílias) pelo Exército do velho Estado brasileiro. Outras duas Áreas camponesas como Raio do Sol e Renato Nathan 2 também estão ameaçadas por ficarem nos arredores.

Mais informações e uma denúncia mais completa serão publicadas em AND nº 186.

Na reunião de camponeses com o Incra, em Porto Velho, um camponês da Associação do Canaã (Asprocan) disse que só sairia de sua terra morto e o delegado agrário respondeu de pronto e agressivamente: “Pois então o senhor sairá morto, porque o exército fará o despejo.”


Além de denunciar os crimes do latifúndio e seus bandos armados e levantar apoio aos camponeses em luta e à LCP de Rondônia, o Ato Político realizado em Jaru, no último dia 10 de fevereiro, também elevou a luta conjunta dos camponeses por seus direitos. Como resultado do Ato, camponeses de mais de 30 acampamentos e áreas fizeram uma série de reuniões com representantes do Incra e Terra Legal, em Jaru e Porto Velho.

Numa reunião na capital, no último dia 09 de março, o superintendente do Incra Cletho Muniz de Brito afirmou que o Exército Brasileiro despejaria a Área Canaã (mais de 100 famílias), em cumprimento de uma sentença de reintegração de posse expedida por um colegiado em Brasília. E passou a acusar o Terra Legal por não se manifestar – fato típico dos representantes do velho Estado para fugir de suas responsabilidades e enrolar o povo.

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Maior projeto da Vale é mais um crime contra o povo

Protesto de moradores contra projeto S11D da Vale, 2012

Protesto de moradores contra projeto S11D da Vale, 2012

José Ricardo Prieto, AND nº 185

Apenas 13 meses após ter cometido o maior crime ambiental de todos os tempos no Brasil (o rompimento da barragem de rejeitos de Fundão, em Mariana, MG), a Vale inaugurou, em dezembro de 2016, o maior projeto de mineração do mundo, no sul do Pará. Batizado de “Projeto S11D Eliezer Batista”, a mina fica no município de Canaã dos Carajás e tem números gigantescos.

O projeto prevê a produção de 90 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, o que representa um aumento de quase 80% da produção da Vale até o fim de 2016. Entretanto, essa meta vem sendo revista para baixo, ora justificada com a falta de infraestrutura logística, ora por deficiências no projeto.

A imensa instalação no meio da Floresta Nacional dos Carajás faz o transporte do minério da cava à usina de beneficiamento, a cerca de dez quilômetros de distância, através de correias transportadoras, algo justificado pela empresa como redução de impactos ambientais, já que eliminaria o uso de caminhões. Porém, já se registraram compras de caminhões para o projeto.

A mina foi inaugurada em 18 de dezembro de 2016, com as presenças de representantes dos maiores acionistas: os presidentes do Bradesco, da japonesa Mitsui e do fundo de previdência do Banco do Brasil, o Previ, além do ministro de minas e energia.

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SC: Polícia Militar abusou da autoridade no Carnaval

Matéria do blog daquinarede.com.br
7 de março de 2017
Por Celso Martins*

Sambaqui (Florianópolis-SC), duas horas da madrugada do primeiro dia de março de 2017. Duas dezenas de pessoas continuam na praia das Flores, onde se realizou o Carnaval, entre barraqueiros e foliões. No vídeo abaixo, vemos uma fileira de policiais militares fazendo um arrastão de fim de festa, gravado pela jornalista Anita Martins, acompanhada do fotojornalista Edu Cavalcanti. Além de registrar atos de intimidação, mostra o lançamento de gás pimenta no rosto de dois carnavalescos que estavam indo embora. O vídeo ainda mostra as abordagens policiais aos dois jornalistas do Daqui na Rede, cerceando o exercício profissional. Confira.

O bloco Engenho de Dentro (Sambaqui), a Associação de Moradores de Santo Antônio de Lisboa (Amsal) e a Associação do Bairro de Sambaqui (ABS), se manifestam sobre a ação policial e o assédio a jornalistas no Carnaval.

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PA: Capangas da Vale atacam camponeses

Homens agredidos por capangas da Vale

Homens agredidos por capangas da Vale

Redação de AND

No dia 27/02, o pequeno produtor agrário Jorge Martins dos Santos, de 46 anos, e o seu filho Thiago Sales dos Santos, de 24, foram atacados por capangas da Vale S/A, em Canaã do Carajás (PA), quando instalavam cercas no limite entre a sua propriedade e a fazenda Boa Sorte, pertencente a mineradora.

No ataque, oito “seguranças” da Prosegur, empresa a serviço da Vale S/A, acusaram pai e filho de estarem invadindo o terreno desta. Em entrevista ao The Intercept Brasil, Jorge Santos relatou que os homens chegaram de toca ninja e agindo com violência, agredindo com socos, pontapés e coronhadas, além de utilizarem spray de pimenta. Após as agressões, Jorge e Thiago foram algemados e conduzidos até a delegacia do município. No trajeto sofreram novas agressões.

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MG: ativista ameaçado de morte

Com informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT)

No dia 19 de fevereiro, Gilberto Teixeira, frei franciscano, foi ameaçado de morte por um homem armado devido a sua atuação contra os projetos de mineração de bauxita na Serra do Brigadeiro, no distrito de Belisário, município de Muriaé (MG).

Ao sair de uma missa Gilberto foi abordado por um pistoleiro armado, que o ameaçou de morte, dizendo que se ele continuar apoiando os movimentos populares contrários à mineração seria morto.

No dia 23 de fevereiro foi divulgado uma nota de solidariedade a Gilberto Teixeira e à luta da população de Muriaé contra os danos da atividade mineradora, sendo assinada por 73 entidades e organizações populares.

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SE: Protesto em defesa de moradias em Aracaju

Moradores em luta por moradia. Imagem retirada de vídeo do G1

Moradores em luta por moradia. Imagem retirada de vídeo do G1

Redação de AND

Centenas de moradores do loteamento Nova Liberdade, em Aracaju (SE), realizaram uma manifestação no dia 23 de fevereiro após serem informados de uma decisão de reintegração de posse determinada pelo judiciário reacionário.

As mais de 800 famílias que residem no local há mais de 6 anos exigiram durante o ato seu justo direito à moradia.

SP: PM ataca população durante o carnaval

Redação de AND

No dia 28 de fevereiro, terça-feira de carnaval, Policiais Militares de São Paulo atacaram com bombas de gás lacrimogêneo, “efeito moral” e spray de pimenta centenas de pessoas que se concentravam na praça Roosevelt, região central da capital paulista.

A prefeitura afirmou que no local, que costuma concentrar pessoas após o término dos blocos, o horário máximo permitido para os festejos seria 22h, por se tratar de área residencial.

As pessoas denunciaram a covarde agressão da PM e afirmaram que não receberam nenhuma orientação para deixar o local antes do covarde ataque. Várias pessoas foram intoxicadas e o comércio da região foi obrigado a fechar as portas pelos efeitos do gás.

Vera Malaguti: ‘São as prisões que produzem as facções’

A equipe de AND teve a oportunidade de entrevistar, nesta primeira quinzena de janeiro, a socióloga e criminologista Drª Vera Malaguti Batista, a respeito da grave situação dos presídios no país, que culminou nas rebeliões, principalmente na região norte.

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Vera Malaguti é mestre em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Professora de Criminologia da Universidade Cândido Mendes (UCM), e Secretária geral do Instituto Carioca de Criminologia (ICC).

AND) Desde o início de janeiro os principais noticiários do país deram grande repercussão a grave situação nos presídios do norte do país, principalmente. A situação, como dizemos, é muito grave, mas não é nada nova. O que ocorreu para que a transbordasse a atual crise?

V.M.) Eu acho que, como a pergunta está dizendo, esta situação no país transbordou, pois ela está sendo construída desde os anos 90 com a entrada do neoliberalismo. A questão criminal é uma questão fundamental na economia do neoliberalismo. É uma estratégia de controle dos pobres e dos resistentes que ao mesmo tempo produz uma economia muito funcional para o capital neoliberal, para o capitalismo contemporâneo.

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