Velho Estado e latifúndio intensificam repressão no campo

Camponeses organizados pela LCP marcham com movimentos e entidades democráticas em Jaru, 10 de fevereiro em Rondônia

Camponeses organizados pela LCP marcham com movimentos e entidades democráticas em Jaru, 10 de fevereiro em Rondônia

Com informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT)

O conluio do velho Estado com latifundiários, grileiros, madeireiras, mineradoras e empreiteiras têm fomentado a violência contra a população do campo e, principalmente contra os movimentos e lideranças camponesas, indígenas e quilombolas, que seguem em luta pelo acesso e controle de terras e territórios, cada vez mais desprendidas das ilusões com as instituições deste velho Estado de grandes burgueses e latifundiários, serviçais do imperialismo, principalmente o ianque.

Segundo dados parciais divulgado pela CPT – dados subestimados, mas que permitem um panorama das lutas por terra e território no Brasil –, ao menos 61 pessoas foram assassinadas no campo em decorrência de conflitos agrários, sendo que em 2015 foram registradas ao menos 50 mortes.

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A carne é fraca, o latifúndio é “forte”!

 


Reproduzimos pronunciamento da Comissão Nacional da Liga dos Camponeses Pobres sobre o escândalo envolvendo o latifúndio brasileiro (“agronegócio”) quanto à produção e comercialização de carne podre e estragada.


A carne é fraca, o latifúndio é “forte”!

(Mas um gigante com pés de barro que vai ser varrido pela Revolução Agrária!)

Temer saboreando uma picanha... argentina.

Temer saboreando uma picanha… argentina.

A carne é fraca mesmo! Forte é a semi-feudalidade deste nosso capitalismo burocrático podre, que montou uma verdadeira operação de guerra para abafar o impacto desta operação da Policia Federal contra Frigoríficos e fiscais do Ministério da Agricultura, flagrados nos crimes de incluir carnes impróprias em embutidos além da quantidade permitida e divulgada, adulterar carnes em processo de degradação com ácido ascórbico para que a aparência das mesmas fosse de carne fresca, corromper fiscais e financiar políticos (PT, PMDB e PP).

O Ministro da Agricultura, latifundiário, atacou a Polícia Federal. Michel Temer correu para acalmar os compradores estrangeiros. E as televisões passaram a produzir dezenas de matérias para tentar qualificar o episódio como um fato isolado dentro de um sistema eficiente.

E a crise geral faz a canalha que gerencia o país meter os pés pelas mãos, tentando impedir a queda das ações destes grandes frigoríficos e um possível boicote às importações da carne do latifúndio brasileiro. Divulgado o grampo em que chamava um dos fiscais acusado de chefiar a quadrilha de “grande chefe”, Osmar Serraglio, ministro da justiça indicado pela bancada ruralista, cuja eleição foi financiada principalmente pela Friboi, ficou na muda. Na tentativa desesperada de tranquilizar os estrangeiros, dando mostras de se lixar para a população brasileira, Temer afirmou que, dos 21 frigoríficos investigados, somente 6 haviam exportado nos últimos 60 dias. Mas o discurso do presidente imoral, tão podre como a mercadoria em questão, proferido diante dos importadores, passou na televisão para milhões de brasileiros, que se perguntaram: quer dizer então que nós, brasileiros, podemos comer carne estragada? E continuando sua ópera bufa, Temer vai com os estrangeiros a uma churrascaria em Brasília, onde 80% da carne servida é importada da Argentina, do Chile e do Uruguai. Cômico, se não fosse trágico!

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PA: Ativista é assassinado dentro de hospital

waldomiro

Waldomiro era camponês e líder na região

Com informações do mst.org

Na madrugada de 20/03, Waldomiro Costa Pereira foi assassinado dentro do Hospital Geral do município de Parauapebas (PA). Cinco homens armados e encapuzados invadiram o hospital, três deles se dirigiram à UTI onde se encontrava Waldomiro e efetuaram ao menos oito disparos contra ele, que faleceu no local.

Waldomiro era ativista do MST desde 1996, sendo considerado uma das principais lideranças do movimento na região. Ele exerceu papel de destaque na criação do Assentamento 17 de Abril, em Eldorado dos Carajás, onde vivia e trabalhava no seu pedaço de terra.

pistoleiros

Pistoleiros executaram Waldomiro dentro do hospital

Dois dias antes de ser morto, o ativista sofreu um ataque quando trabalhava em seu lote de terra. Dois homens encapuzados em uma moto se aproximaram do local e dispararam contra ele, ferindo-o na cabeça em uma das mãos.

O ativista, que também era servidor público do município de Parauapebas, deixa uma esposa e cinco filhos.

Em nota, a direção estadual do MST afirmou que “este é mais um assassinato de trabalhadores no estado do Pará, em que o governo é culpado pela sua incompetência em cuidar da segurança da população e praticado em função da negligência do estado em apurar e punir os crimes desta natureza”.

RO: Estado ameaça usar o Exército para despejar famílias camponesas

Produção camponesa no Canaã, RO

Produção camponesa no Canaã, RO


Reproduzimos gravíssima denúncia da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) de Rondônia e Amazônia Ocidental da ameaça de despejo da Área camponesa Canaã (100 famílias) pelo Exército do velho Estado brasileiro. Outras duas Áreas camponesas como Raio do Sol e Renato Nathan 2 também estão ameaçadas por ficarem nos arredores.

Mais informações e uma denúncia mais completa serão publicadas em AND nº 186.

Na reunião de camponeses com o Incra, em Porto Velho, um camponês da Associação do Canaã (Asprocan) disse que só sairia de sua terra morto e o delegado agrário respondeu de pronto e agressivamente: “Pois então o senhor sairá morto, porque o exército fará o despejo.”


Além de denunciar os crimes do latifúndio e seus bandos armados e levantar apoio aos camponeses em luta e à LCP de Rondônia, o Ato Político realizado em Jaru, no último dia 10 de fevereiro, também elevou a luta conjunta dos camponeses por seus direitos. Como resultado do Ato, camponeses de mais de 30 acampamentos e áreas fizeram uma série de reuniões com representantes do Incra e Terra Legal, em Jaru e Porto Velho.

Numa reunião na capital, no último dia 09 de março, o superintendente do Incra Cletho Muniz de Brito afirmou que o Exército Brasileiro despejaria a Área Canaã (mais de 100 famílias), em cumprimento de uma sentença de reintegração de posse expedida por um colegiado em Brasília. E passou a acusar o Terra Legal por não se manifestar – fato típico dos representantes do velho Estado para fugir de suas responsabilidades e enrolar o povo.

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Maior projeto da Vale é mais um crime contra o povo

Protesto de moradores contra projeto S11D da Vale, 2012

Protesto de moradores contra projeto S11D da Vale, 2012

José Ricardo Prieto, AND nº 185

Apenas 13 meses após ter cometido o maior crime ambiental de todos os tempos no Brasil (o rompimento da barragem de rejeitos de Fundão, em Mariana, MG), a Vale inaugurou, em dezembro de 2016, o maior projeto de mineração do mundo, no sul do Pará. Batizado de “Projeto S11D Eliezer Batista”, a mina fica no município de Canaã dos Carajás e tem números gigantescos.

O projeto prevê a produção de 90 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, o que representa um aumento de quase 80% da produção da Vale até o fim de 2016. Entretanto, essa meta vem sendo revista para baixo, ora justificada com a falta de infraestrutura logística, ora por deficiências no projeto.

A imensa instalação no meio da Floresta Nacional dos Carajás faz o transporte do minério da cava à usina de beneficiamento, a cerca de dez quilômetros de distância, através de correias transportadoras, algo justificado pela empresa como redução de impactos ambientais, já que eliminaria o uso de caminhões. Porém, já se registraram compras de caminhões para o projeto.

A mina foi inaugurada em 18 de dezembro de 2016, com as presenças de representantes dos maiores acionistas: os presidentes do Bradesco, da japonesa Mitsui e do fundo de previdência do Banco do Brasil, o Previ, além do ministro de minas e energia.

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MS: ‘Liberdade para Alexandre Guarani Kaiowá’

alexandrekaiowa


Reproduzimos a seguir o chamado da campanha pela liberdade do indígena Alexandre Claro, da aldeia Tey kue de Caarapó, preso de forma arbitrária. A prisão de Alexandre (que tem esquizofrenia) é o retrato da situação do indígena no Mato Grosso do Sul, sufocado diariamente por este velho Estado burguês-latifundiário.


O indígena Guarani Kaiowá Alexandre Claro, da aldeia Tey’i Kue em Caarapó, foi baleado duas vezes pela PM, na perna e no quadril, no dia 5 de janeiro. A ação foi justificada como uma tentativa de “conter” um suposto surto, no entanto, a PM imputou a Alexandre a tentativa de homicídio e dano qualificado. Testemunhas afirmam que Alexandre estava com um pedaço de madeira, no centro de Caarapó, com o qual supostamente tentou atacar a viatura. Porém, ele já era conhecido na cidade e na aldeia pelo costume de transitar nas ruas como andarilho sem rumo, apresentando sempre comportamento pacífico, além de ter problemas em um de seus braços. Alexandre, diagnosticado com esquizofrenia, não recebia tratamento a pelo menos 3 anos, como deveria ser garantido pela SESAI. Trata-se de mais um caso de criminalização.

A família teve acesso negado a Alexandre durante sua internação no Hospital da Vida em Dourados. Além disso, a ficha hospitalar omitia informações: constava apenas que a internação foi provocada por uma fratura no fêmur, e não por cirurgia para retirada de bala, realizada com atraso, colocando em risco sua vida. Como se isso não bastasse, foi mantido sob escolta de policiais e algemado à cama, procedimento que pode ser caracterizado como prática de tortura.

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BA, CE e RS: Ocupação de latifúndios

Usina ocupada em Medeiro Neto na Bahia. Foto: mst.org

Usina ocupada em Medeiro Neto na Bahia. Foto: mst.org

Com informações do mst.org

No dia 06/03, mais de mil mulheres ocuparam a Usina Santa Maria, no município de Medeiro Neto, no extremo sul da Bahia, em protesto contra a paralisação do projeto de “reforma agrária” e a monocultura da cana-de-açúcar.

Em Salvador (BA), no mesmo dia, a sede regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) foi ocupada tendo como reivindicações a realização da “reforma agrária” e o fim dos projetos de “reformas” da previdência social e trabalhista, que se aprovado trará grandes prejuízos as trabalhadoras e trabalhadores do campo.

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PA: Capangas da Vale atacam camponeses

Homens agredidos por capangas da Vale

Homens agredidos por capangas da Vale

Redação de AND

No dia 27/02, o pequeno produtor agrário Jorge Martins dos Santos, de 46 anos, e o seu filho Thiago Sales dos Santos, de 24, foram atacados por capangas da Vale S/A, em Canaã do Carajás (PA), quando instalavam cercas no limite entre a sua propriedade e a fazenda Boa Sorte, pertencente a mineradora.

No ataque, oito “seguranças” da Prosegur, empresa a serviço da Vale S/A, acusaram pai e filho de estarem invadindo o terreno desta. Em entrevista ao The Intercept Brasil, Jorge Santos relatou que os homens chegaram de toca ninja e agindo com violência, agredindo com socos, pontapés e coronhadas, além de utilizarem spray de pimenta. Após as agressões, Jorge e Thiago foram algemados e conduzidos até a delegacia do município. No trajeto sofreram novas agressões.

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PR: Tentativa criminosa de despejo de camponeses pela PM de Beto Richa

Camponeses resistem à tentativa de expulsão.

Camponeses resistem à tentativa de expulsão.

Com informações do mst.org

Na manhã de 07/02, a Polícia Militar do gerente estadual Carlos Alberto Richa/PSDB tentou despejar criminosa e ilegalmente os camponeses do Acampamento Herdeiros da Luta de Porecatu, no município de Porecatu, no norte do Paraná.

Um grupo de camponeses trabalhava em suas roças, quando a tropa de choque da PM acompanhada de dois tratores tentou expulsá-los e destruir as lavouras. A tropa de choque da PM efetuou disparos de balas de borracha e lançou bombas de gás lacrimogêneo contra os trabalhadores. As famílias se revoltaram e começaram a resistir ao despejo, arremessando pedras contra os policiais, que foram obrigados a fugir do local.

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MG: ativista ameaçado de morte

Com informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT)

No dia 19 de fevereiro, Gilberto Teixeira, frei franciscano, foi ameaçado de morte por um homem armado devido a sua atuação contra os projetos de mineração de bauxita na Serra do Brigadeiro, no distrito de Belisário, município de Muriaé (MG).

Ao sair de uma missa Gilberto foi abordado por um pistoleiro armado, que o ameaçou de morte, dizendo que se ele continuar apoiando os movimentos populares contrários à mineração seria morto.

No dia 23 de fevereiro foi divulgado uma nota de solidariedade a Gilberto Teixeira e à luta da população de Muriaé contra os danos da atividade mineradora, sendo assinada por 73 entidades e organizações populares.

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