Os estertores de um Estado em decomposição

Não adiantará às vivandeiras de quartel com seu reacionário discurso do “rearmamento moral” apresentarem-se como salvadoras da pátria, ainda que através de desbocados fascistas como Bolsonaro, nem os oportunistas eleitoreiros requentando seu “desenvolvimentismo” burocrático. Não vingará. […] O protesto popular tomará, por diferentes meios e formas, um volume nunca visto em nossa história e enfrentará a guerra civil reacionária em que o país já se acha mergulhado. As massas populares aprendendo a defender-se neste enfrentamento lançarão mão da justa belicosidade para impor seus interesses.

Editorial, AND nº 186

Ainda que a chamada delação do “fim do mundo” não tenha vindo a público em toda sua amplitude, já é possível aquilatar o pânico que toma conta do pântano em que se constituiu o sistema político brasileiro.

Fatos, por demais emblemáticos do afundamento dos três podres poderes deste arremedo de República, ocorreram nos últimos dias. Primeiro foi o encontro, registrado em escrachada foto, de Michel Temer, pelo executivo, Rodrigo Maia, pela Câmara dos Deputados, e Eunício Oliveira, pelo Senado, ambos chefes do legislativo, e Gilmar Mendes, ministro do Supremo pelo judiciário, tratando, no melhor estilo mafioso, de conjurar a crise política que ameaça levar de roldão todo o apodrecido sistema político com seus caciques, mandões e maiorais, bem como todas as siglas do Partido Único. Outro, foi o “barraco” encenado por Gilmar Mendes ao desqualificar o Ministério Público pelo vazamento dos depoimentos e ameaçando, inclusive, de impugnar as delações premiadas e o troco que recebeu de Janot que, sem citar o nome do indigitado, qualificou-o de comensal dos grupos de poder.

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Editorial – A convulsão social inevitável e a necessidade da revolução

A Operação “Lava-jato”, longe da ilusão que nutre a maioria de seus componentes, é um estratagema para salvar a velha ordem através de passar a ideia de moralização da vida política e pública do país. É a ação preventiva da reação por temor às explosões de revoltas populares dentro de um mundo cada vez mais tormentoso. A crise que o Brasil atravessa é uma crise de Estado, sintomas de uma situação revolucionária em crescente elevação. O que mais temem o imperialismo, as classes dominantes locais e seus grupos de poder é a convulsão social, a revolta e a revolução. O povo precisa e quer uma revolução, pois já sabe muito bem o que não quer e cada dia seu protesto é mais belicoso.

Editorial, AND nº 185

Mediante a gravidade da crise política, o plano da reação é o de servir-se de Temer (já citado mil vezes nas delações) para fazer o trabalho sujo emergencial de aplicar a ferro e fogo todas as maldades contra o povo e a Nação no objetivo de “equilibrar” a economia, dando rédeas soltas à maior exploração dos trabalhadores e saqueio das riquezas naturais do país. A cambada da politicalha logrou introduzir no Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, encarregado de controlar a bomba dos processos da “Lava-jato”, mas nem isto pode salvá-los se não cumprirem os ditames do imperialismo. A crise política já atingiu tal ponto que, quando menos se espera, faz saltar novas denúncias e revelações, atingindo em cheio o simulacro de governo sem legitimidade e autoridade alguma.

Ao final, totalmente queimado, Temer será jogado à sarjeta da política como bode expiatório e alvo da ira popular, porém teria garantido a “retomada do crescimento” ao tornar o país paraíso maior ainda para a banqueirada e demais sanguessugas do nosso povo e da Nação. O establishment do imperialismo, principalmente ianque, calcula assim que, nas eleições de 2018, eleja-se alguém publicitado como honesto e eficiente, como se o mesmo nada tivesse com todos estes crimes e demais bandalheiras, vendendo a ideia de saneamento da política e página virada, com a renovação da credibilidade nas instituições do velho Estado.

Não será tão fácil assim como imagina e trama a reação monitorada pelo imperialismo. Mas nem o imperialismo, nem a cambada da politicalha têm escolha. Como corporação ameaçada, estes não jogarão a toalha e todas as ações só lançarão mais lenha na fogueira da crise e da revolta popular. Já faz tempo que o país foi arrastado para uma guerra civil reacionária, na qual tudo cada vez mais tem solução por meio da violência.

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Editorial – As vísceras expostas do velho Estado em decomposição

As armações das classes dominantes, mesmo em pugna e conluio, para dar sobrevida à velha ordem de opressão e o fracasso da “esquerda” eleitoreira, aceitando a subjugação nacional para administrar o Estado de grandes burgueses e latifundiários, é a confirmação cabal de que fora do caminho da Revolução de Nova Democracia, tudo não passa de vã ilusão.

AND nº 184, Editorial.

A população do estado do Espírito Santo viveu dias de fúria com a greve da PM. Esta sinalizou aos grupos de extermínio a autorização para o assassinato em massa de pobres. Contou ainda, é claro, com a imprensa dos monopólios para provocar o terror, apavorando todo o povo e pedindo mais repressão sobre a população que realizava saques, ao criminalizá-la sem distinguir seus atos das ações de delinquentes.

A Polícia Militar é um dos instrumentos de repressão no dia-a-dia que o Estado de ditadura da burguesia usa para exercer sua opressão sobre as massas populares. Ela deve seguir as mesmas regras de disciplina, organização e hierarquia das forças armadas, por isso ela é militar. Quando um instrumento como este se rebela é um sinal de que começam a ficar expostas as entranhas putrefatas do velho Estado.

Mas, se esta situação se apresenta por demais grave, ela não é um fato isolado, o processo de putrefação do velho Estado tem um espectro bastante amplo, como veremos a seguir.

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Editorial – Impulsionar o protesto popular e propagandear a Revolução Democrática

Editorial, AND nº 183

“Na atual marcha dos acontecimentos em que o Brasil vai sendo arrastado para a convulsão social, o único recurso das classes dominantes de grandes burgueses e latifundiários, serviçais do imperialismo, para manter o controle do poder será o incremento da violência reacionária, brutal e covarde contra as massas em luta por seus direitos pisoteados. A crise política é já uma crise não só de legitimidade do governo, mas uma crise de autoridade de todo o sistema político legal vigente, de suas instituições e de seus agentes” (Editorial de AND nº 182).

Dito e feito, ao mesmo tempo em que abrem as portas da barbárie, Temer e Meirelles vão cumprindo à socapa as determinações do imperialismo na aplicação da política de terra arrasada contra os direitos do povo e da Nação.

Pendurado no galho putrefato do Congresso Nacional e escorraçado pela nação, Temer aguarda o dobre de finados, mas sem antes lançar mão do arsenal de medidas antipovo e vende-pátria. Via decretos, medidas provisórias e emendas à Constituição, o sabujo vai esquartejando o país e sua gente. Põe em liquidação o patrimônio da Petrobras e do Pré-sal, derrama o FGTS na bacia dos bancos, entrega florestas nacionais ao latifúndio, aumenta o desemprego e retira direitos para vulgarizar a escravidão e eludir o direito à aposentadoria para entregá-la à sanha voraz dos banqueiros. Tudo em caráter de urgência, à ligeira como quem rouba.

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Editorial – Pôr abaixo Temer e barrar suas medidas antipovo e vende-pátria

Editorial, AND nº 182, 2ª quinzena de dezembro de 2016 e 1ª de janeiro de 2017

As ruas estão indóceis com enfrentamentos que apontam para a elevação da justa violência das massas em resposta à brutal repressão do Estado, em todos os níveis, ao protesto popular. O Rio de Janeiro, mais uma vez, foi o palco e a vitrine da ação das massas e da reação do gerenciamento estadual à justa reivindicação dos servidores públicos por seus salários e seus direitos. Cenas que deverão repetir-se nos demais estados e municípios país afora.

Neste ambiente de putrefação generalizada nos três podres poderes da semicolônia, gerado por fermentações purulentas em todas as esferas do velho Estado brasileiro, a saída encontrada pelo imperialismo e as classes dominantes lacaias colocando Temer e sua quadrilha no gerenciamento do mesmo, deu com os burros n’água. A emenda foi pior do que o soneto. Temer está apoplético diante das cobranças do PSDB, principal representante dos banqueiros dentro do Partido Único, para fazer passar o pacotaço antipovo e vende-pátria.

É um “jogo de vale tudo” como vimos no conchavão em torno da manutenção de Renan Calheiros à frente do Senado. Neste caso prevaleceu o conluio, entretanto, a pugna é o principal. Engalfinhados, os grupos de poder fazem de tudo para salvarem-se do verdadeiro tsunami em que se transformou o reflexo da crise do imperialismo no país como aguda crise geral do capitalismo burocrático. Vale até jogar “vossas excelências” na arena da “Lava Jato”.

Mas, se tudo estava ruim com o gerenciamento oportunista, os 100 dias sob a direção do bando peemedebista fizeram desabar todos os índices: emprego, PIB, produção industrial, expectativa dos consumidores e dos empresários. Frente a tais indicadores, os “abutres” do mercado, representantes do imperialismo, da grande burguesia (principalmente das finanças), e do latifúndio, passaram a tramar novos distúrbios.

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Editorial – Abandonar as ilusões, partir para a luta dura e prolongada

 

Editorial AND nº 181, 1ª quinzena de dezembro

A eleição de Trump no USA é resultante deste afundamento do imperialismo ianque, em particular, e da agudização das contradições entre as classes dominantes no USA…. Quanto mais avança o afundamento geral do imperialismo ianque, mais reacionário e agressivo se fará. Assim vai se passar com todas as demais potências imperialistas.

I

O mundo inteiro está abalado pela gravíssima crise de todo sistema de dominação imperialista provocando distúrbios de magnitudes ímpares. O mundo inteiro está sacudido por tormentosas lutas e guerras. O aprofundamento da crise geral do imperialismo (o capitalismo de nossa época) aguça as contradições entre nações oprimidas e nações imperialistas por sua ação de rapina sobre as primeiras. Também agudiza as contradições entre as potências e superpotências imperialistas, principalmente a superpotência hegemônica única USA e a superpotência atômica Rússia, com mais guerras pela divisão de países (tal como Síria, Iraque, etc.) e por uma nova partilha do mundo entre os mais poderosos. Também agudiza a contradição entre proletariado e burguesia, principalmente com os violentos cortes de direitos dos trabalhadores nos próprios países imperialistas, a superexploração e o chauvinismo contra os trabalhadores imigrantes.

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Editorial – O Rio de Janeiro é o Brasil amanhã

Editorial, AND nº 180

Atentemo-nos! O Brasil está sendo arrastado para a guerra civil. As contradições mais agudizadas estão sendo resolvidas cada vez mais através da violência. Às massas só resta o caminho verdadeiramente democrático, o caminho da Revolução de Nova Democracia, que só poderá ser alcançado pela via da rebelião popular.

Onde já se viu? Um gerente estadual pedir intervenção federal no estado que ele “governa”. A intervenção federal geralmente acontece quando há desmandos ou perda da autoridade em determinado estado, ou seja, é uma punição decretada pelo governo federal.

Diante do abacaxi, o representante do FMI, Meirelles, negou de imediato como quem diz: “toma que o filho é teu” e acenou com uma saída já bastante conhecida desde os tempos imperiais e da república velha: empenhar receitas futuras. Naquela época os bancos ingleses mandavam seus funcionários como interventores na Fazenda Nacional para recolher na boca do caixa, os tributos dados em garantia dos empréstimos realizados. Meirelles quer fazer o mesmo com os royalties do pré-sal. Pezão acha que isto pode ajudar o estado que “está ficando ingovernável”. A crise política do país é gravíssima!

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Editorial – Putrefato sistema político de um velho Estado em decomposição

03Editorial AND nº 179

A situação revolucionária em desenvolvimento no Brasil vai tomando contornos cada vez mais beligerantes. O velho, apodrecido e genocida Estado brasileiro vive hoje uma de suas maiores crises, não apenas no terreno da política, mas na economia, no social e na moral. É uma crise onímoda do velho Estado de grandes burgueses e latifundiários serviçais do imperialismo, principalmente ianque e do enfermo terminal capitalismo burocrático que o sustenta.

As classes dominantes não conseguem mais manter sua dominação como antes da crise imperialista de 2007/8. Entre os ingredientes mais recentes que contribuíram para acelerar a fricção entre elas tivemos a prisão de Eduardo Cunha e a possibilidade de sua delação premiada; a volta antecipada do vendilhão da pátria Temer de sua viagem de volta ao mundo ofertando o Brasil na bandeja; a prisão do diretor da polícia legislativa do Senado; o acordo de delação premiada da Odebrecht; o pronunciamento de Renan Calheiros utilizando o termo “juizeco” e a classificação do ministro da justiça de “chefete de polícia”.

A prisão de Eduardo Cunha, apesar de cantada em prosa e verso, deixou em polvorosa o Congresso Nacional, principalmente, quando se anunciou que um advogado especialista em delação premiada teria sido contratado por Cunha. Ele tem em suas mãos pelo menos metade dos três poderes da República e, certamente, não titubeará em salvar a pele da mulher e dos filhos, entregando aqueles que ele julga haverem-no abandonado em suas horas difíceis. Eis porque muitos já colocaram escova, pasta, sabonete e toalha na valise.

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Persistir na vitoriosa campanha pelo boicote (Editorial)

AND nº 178, primeira quinzena de outubro.

O resultado da apuração de mais uma farsa eleitoral mostrou, como já era esperado, a falência deste apodrecido sistema político brasileiro. Ademais da quantidade imensa de brasileiros que viraram as costas às urnas, negando-se a comparecer aos postos eleitorais ou indo justificar em outra cidade, tivemos uma verdadeira maré de votos brancos e nulos.

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Por todo o Brasil, o povo boicotou as eleições. Na foto, ato secundarista em São Paulo, capital.

O somatório destas manifestações é mais que suficiente para demonstrar o quanto o nosso povo está enojado deste podre sistema político comandado pelas classes dominantes e referendado por oportunistas, pelegos e renegados e clama por uma transformação radical do sistema político.

Mais uma vez, os monopólios de comunicação comandados pela rede globo fizeram de tudo para arrastar as massas para o pântano da farsa eleitoral, inserindo em sua programação, inclusive nas novelas, a chantagem de que o eleitor é o responsável pela existência dessa escumalha que compõe a política oficial corrupta.

Novamente, também, o artifício da divulgação das pesquisas eleitorais foi usado para induzir o eleitorado a aceitar o fato consumado antes de manifestada a vontade dos mesmos nas urnas.

Não bastasse estas maquinações conjugadas com as maquiagens “jurídicas” de “ficha limpa” e proibição de financiamento empresarial dos candidatos, todo o processo eleitoral ocorreu, como já denunciamos, na mais completa frieza e desprezo pela população, porém, sob clima de opressão e repressão diretas promovidas pelo latifúndio, pelos agentes do velho Estado encastelados nos serviços públicos, por traficantes, “milicianos” e exploradores da fé do povo.

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Boicotar ativamente a farsa eleitoral (AND 177)

Editorial AND 177, segunda quinzena de setembro de 2016.

As eleições municipais deste ano de 2016 serão realizadas num clima de total descrédito na sociedade. Nunca na história do Brasil os políticos profissionais estiveram tão desmoralizados. Nem por isso o sistema político que gerencia a dominação de classe no país deixa de buscar fórmulas de passar gato por lebre. Coisas como urna eletrônica, lei da ficha limpa, “operação lava jato”, multa para quem não votar e outros penduricalhos fazem parte do arsenal de enganações no sentido de encoivarar o eleitorado.

O desfile da oligarquia durante a votação do impeachment, tanto na câmara como no senado, contribuiu bastante para que o povo brasileiro tivesse a real medida disso que chamam de “representantes” do povo brasileiro. Quem se der ao desprazer de assistir uma sessão de qualquer câmara municipal em qualquer município brasileiro verá como o dinheiro dos seus impostos vão para o ralo de forma tão despudorada. Pior que isso é o purgante ministrado aos telespectadores ora em doses homeopáticas, ora em doses cavalares no denominado “horário da propaganda eleitoral gratuita” pago pelo velho Estado aos monopólios de comunicação com o dinheiro de nossos impostos.

Como na história em que ladrão bate a carteira do cidadão e esse sai correndo a gritar “pega ladrão”, todos os partidos e candidatos, além dos surrados compromissos com a saúde e a educação, incluíram em seus discursos o combate à corrupção.

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