Foto: Alex de Jesus – O tempo

Com informações do Comitê de Apoio ao AND de Belo Horizonte

Na manhã do dia 3 de julho, um grupo de camelôs estava realizando uma manifestação na Praça Sete, centro de Belo Horizonte (MG). A praça ficou fechada pelos manifestantes contra as medidas adotadas pelo gerente municipal de Alexandre Kalil (PHS), que propõe “tirar os camelôs das ruas e os colocar nas lojas dos shoppings populares”.

Os camelôs alegam serem vítimas do desemprego e por isso buscam o sustento nas ruas, trabalhando de ambulante. “Agora vem o Kalil, querer obrigar a gente a ir pra essas lojas, onde quem manda são chineses. Ele está é querendo matar a gente de fome!”, denunciou um camelô. “A gente tava aqui denunciando isso e chegou um monte de polícia, atirando com bala de borracha, bomba de gás e bomba de efeito moral. Nós só quer é trabalhar!”, denuncia outra camelô.

Vanessa, de 23 anos, falou de forma crítica sobre o que estava ocorrendo: “Eles mandam a polícia jogar bomba em nós e os políticos que roubam do povo, eles tratam como doutor. Depois vem pedir o nosso voto”.

A operação teve início na parte da manhã e se estendeu por todo o dia.  As lojas foram fechadas e muitos camelôs ficaram feridos, inclusive um membro da imprensa. Jean Felipe, do Portal de Betim, teve a cabeça ferida com uma pancada. O enfrentamento mais localizado se deu na Praça Sete, se espalhando por todas as ruas adjacentes. O batalhão de choque usou o blindado, bombas de gás de lacrimogênio, balas de borracha, spray de pimenta e foi reforçado pelo BOPE e a GCM, que atuaram em conjunto com a fiscalização da prefeitura.

“A revolta dos camelôs é justa, pois não há perspectivas de emprego e o que as polícias de Kalil e de Pimentel estão fazendo é criminoso”, afirmou o professor Max, que passava pelo centro.

O centro de BH com as lojas fechadas, e algumas com as portas entreabertas cercadas por guardas da GCM. Os camelôs gritam palavras de ordem contra o gerente Kalil e o de “Queremos trabalhar, e Kalil não quer deixar!”. Os camelôs denunciam que o prefeito não cumpriu promessas de campanha.

A ação integrada entre a polícia militar, a GCM e a prefeitura realizou várias detenções e deixou o centro de BH em pânico, muitos feridos e as lojas fechadas. 

Há promessas de mais manifestações por parte dos camelôs. O Comitê de apoio ao AND de Belo Horizonte continuará acompanhando a luta dos camelôs.

Foto: Eduardo Magrão /AND

 

Foto: Alex de Jesus / O tempo