Pintura, Prisão de Tiradentes, por Antônio Diogo da Silva Parreiras

Pintura “Prisão de Tiradentes”, por Antônio Diogo da Silva Parreiras

Adaptado de matéria publicada em AND nº 168 (2016)

 

Neste 21 de abril completaram-se 227 anos da heroica Conjuração Mineira de 1789. O movimento de caráter popular-revolucionário com o propósito de libertar o Brasil do jugo colonial teve como líder inconteste Joaquim José da Silva Xavier, o alferes Tiradentes.

A Conjuração Mineira foi uma das primeiras elaborações autênticas do pensamento e da ação do povo brasileiro, o que fica expresso em seu Programa de Governo, elaborado pelos conjurados, que propunha: a independência nacional; liberdade para o povo se instruir e divulgar suas ideias, produzir e comercializar segundo suas necessidades; o estabelecimento de uma República Federativa; o fim da opressão e a passagem às mãos do Estado dos postos de mando da economia nacional; o desenvolvimento do progresso e da cultura; a industrialização do país; o direito da população se armar e defender seu país, além de garantias econômicas e sociais.

O padre Toledo, um dos proeminentes líderes Conjurados, destacou em seus depoimentos que os escravos seriam libertados para que engrossassem a revolução. Sob o novo regime, todos os cartórios seriam queimados, todas as terras e o dinheiro da coroa portuguesa seriam confiscados e colocados a serviço do desenvolvimento nacional. Era fatal o cancelamento da enorme dívida que Portugal insistia em cobrar através da derrama.

Mas o ainda nascente movimento foi traído, delatado por Silvério dos Reis, que conhecia os planos de sublevações. Em 10 de maio de 1789, Tiradentes e outros dirigentes Conjurados foram presos.

A raivosa e sanguinária sentença condenou o líder revolucionário Tiradentes à morte na forca e esquartejamento de seu corpo. Heroica e honradamente, Tiradentes assumiu a responsabilidade principal por todo o plano de Rebelião, comportando-se com notável bravura até a execução de sua sentença, em 21 de abril de 1792. Desafiando seus carrascos, ciente do inevitável triunfo do povo sobre a opressão, antes de morrer Tiradentes declarou: “Dez vidas eu tivesse, dez vidas eu daria”.

A destemida e generosa conduta de Tiradentes, mesmo ante a sentença, ainda ecoa por todos os rincões deste Brasil e foi a senha para levantes e rebeliões dos oprimidos ao longo de toda nossa história.