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Neste 26 de abril de 2017 se completam 18 anos da Heroica Resistência empreendida pelas famílias sem-casa que, com indelével decisão e notável organização, conquistaram com sangue o sagrado direito à moradia negado diuturnamente pelo velho Estado burguês-latifundiário nos quatro cantos do país.

Naquela ocupação batizada de Vila Bandeira Vermelha, onde desatou-se contra as famílias a tática de cerco e aniquilamento pelas forças da repressão e uma intensa campanha de difamação pelo monopólio da imprensa, dois heróis tombaram em luta: Elder Gonçalves de Souza e Erionides Anastácio dos Santos.

Aquela brutal repressão confrontou, no entanto, a resistência do povo. Ficou gravado naquelas terras onde travou-se batalhas campais que não há reação que derrote as massas, se estas estão corretamente organizadas e decididas.

Cléber Costa de Farias, Coordenador do MCL, sintetiza assim a batalha em depoimento ao AND na edição nº 5: “O motivo de termos resistido até o fim é que todos os companheiros estavam muito bem preparados. Nós levamos muito tempo mostrando em reuniões, assembléias, que aquela era a oportunidade que tínhamos para conseguir um lugar para morar. Foram dois anos de preparação. Por isso, quando a polícia chegou, todos sabiam que, perdendo aquela oportunidade, ficaria muito mais difícil conquistar outro terreno. E no confronto, quando vimos que dois companheiros foram covardemente assassinados, além de outros feridos gravemente, isso gerou mais resistência, mais firmeza e mais solidariedade, deixando as famílias decididas a defender todo mundo que estava ali dentro. Nosso movimento tinha vanguarda. Havia uma coordenação com o objetivo claro de conquistar nosso direito. E é isso que eu acho. Temos que mudar isso que tem no país. Temos que conquistar um pedaço de terra, mas, para mudar tudo que está aí. O povo não tem saúde, não tem escola, não tem emprego, está à mercê da miséria. Tudo isso foi o que levou o povo a ter a coragem de enfrentar a polícia. A miséria leva o povo a ter determinação e quando viu uma saída para se libertar do aluguel, agarrou. A experiência da Bandeira Vermelha levou o povo a ter a consciência de quem é quem em nosso país, quem o defende realmente”.

Ao longo dos anos, o AND produziu as matérias ‘Vila Bandeira Vermelha: quando o povo resiste’ e ‘Vila Bandeira Vermelha: 10 anos’. Agora, reproduzimos nota da Liga Operária (27 de abril de 2015) sobre a Heroica Resistência da Vila Bandeira Vermelha.


Viva o grande exemplo de luta das famílias sem-casa da Vila Bandeira Vermelha!

 

Há 16 anos caía por terra a máscara fascista, genocida e eleitoreira do gerenciamento petista em Betim, região Metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais.

Na manhã do dia 26 de abril de 1999, uma segunda-feira, o bairro Bandeirinhas era posto sob estado de sítio pelas tropas repressivas desse velho Estado burguês/latifundiário. Às 5:30 horas da madrugada, seiscentos policiais militares armados com escopetas, metralhadoras, bombas, cães, cavalaria, tratores e helicóptero, cercaram o local para executar operação de cruel despejo das duzentas famílias de sem-casa do terreno abandonado da prefeitura de Betim, área batizada de Vila Bandeira Vermelha.

A força inabalável e a organização das famílias opôs uma justa e feroz resistência. Homens, mulheres e crianças, acordados com o barulho dos helicópteros (um da PM e outro da Globo) e tratores, mostraram ao mundo que o “o povo pode tudo”, desde que esteja organizado e decidido pra isso. Mesmo com os covardes assassinatos dos companheiros ELDER GONÇALVES DE SOUZA e ERIONIDES ANASTÁCIO DOS SANTOS e vários feridos, dentre eles um que perdeu o olho esquerdo, atingido por uma bala de borracha, uma companheira, que teve o seu joelho esquerdo atravessado por um tiro de munição letal, várias crianças e idosos intoxicados com o gás lacrimogênio lançado até de helicóptero. Mesmo com tudo isso, as famílias suportaram bravamente os ataques que vinham de todos os lados pela tropa assassina da polícia militar enviada e subordinada do gerente estadual Itamar Franco (PMDB), à pedido do genocida e canalha gerente municipal Jésus Lima (PT).

Essa batalha ficou na memória de todos e impulsionou naquele momento a luta do povo pobre em todo o país; por isso o monopólio de imprensa passou a atacar violentamente com calúnias e difamações as famílias e todos que apoiavam a luta. Ao ver que as famílias estavam inabaláveis e decididas a continuar no terreno e enfrentar novamente a repressão, o mesmo juiz que havia dado a injusta ordem de despejo e o Ministério Público recuaram e passaram a exigir que o assassino Jésus Lima (PT) cedesse e providenciasse terrenos para as famílias. Ao final das negociações, as famílias aceitaram ser deslocadas para duas áreas, uma no bairro Teresópolis, próximo à Fiat e outra no Bairro Itacolomy, próximo à Barragem Várzea das Flores.

Vila Bandeira Vermelha: Organização, disciplina e decisão

Vila Bandeira Vermelha: Organização, disciplina e decisão

Hoje as famílias estão dentro de suas casas criando os filhos e com um teto pra morar, fazendo a esquerda eleitoreira tremer em todas as épocas de eleições. O bairro que antes era esquecido, passou a ser exemplo de lutas pelo transporte público, asfalto, esgoto, luz, posto de saúde, escola e etc… Tudo garantido com muita luta e determinação.

Moradores da Vila Bandeira exigem direito a moradia

Moradores da Vila Bandeira exigem direito a moradia

Mas o que estava nas mãos dessa “justiça” burguesa/latifundiária – a punição ao mandante e executores do assassinato dos dois companheiros – não foi feito. Ainda prossegue a impunidade, porém os nomes dos dois companheiros – ELDER GONÇALVES DE SOUZA e ERIONIDES ANASTÁCIO DOS SANTOS – são exaltados por todos que conhecem essa história de luta. O sangue derramado e de todos que tombaram nessa indomável luta de classes, longe de fazer recuar, aviva as chamas e faz germinar novas sementes. As recentes revoltas populares, a mesma perseguição dos órgãos repressivos desse velho Estado e o cacarejo do monopólio de imprensa, que tenta à todo custo criminalizar e penalizar o povo, nos mostra que só há um caminho: LUTAR!

Por isso, o 26 de abril não pode passar em branco. Todos os que estão na luta, devem se guiar pela bravura e heroísmo dessas duzentas famílias da Vila Vermelha, que na prática demonstraram que o inimigo “é um tigre de papel” e que mesmo tendo garras e presas, pode ser abatido, parte por parte; e com isso, possamos criar uma verdadeira e Nova Democracia, guiada pela aliança operária/camponesa e a fé inabalável de que “as massas fazem a história”.

Honra e glória aos heróis do povo brasileiro!

Companheiro Elder, presente na luta!

Companheiro Erionides, presente na luta!